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segunda-feira, 29 de outubro de 2012

O acaça representa e substitui um sacrifício humano, onde a folha representa o corpo e a massa branca o espirito. No momento em que desembrulhamos o acaça, estamos, simbolicamente procedendo a uma sacrifício humano perante as energias. Daí não se deve oferecer as divindades acaçás fechados! E seu formato em pirâmide? Modernidades IN Brasil...Invenção com o objetivo de usar o formato para se canalizar mais energia e centralizar como as pirâmides do Egito... mas enquanto na verdade o acaça seria enrolado como uma espécie de "pamonha" Conhecido popularmente como almofadinha... Aberto a acréscimos de conhecimentos e troca de "figurinhas sobre..."

Como Èsù tornou-se Rei de Ijelu
Èsù consultou Ifá, a fim de saber como obter uma fortuna. Ifá disse que Èsù deveria ofertar um sacrifício e depois viajar até uma cidade chamada Ijelu. Quando Èsù chegou em Ijelu, ele hospedou-se na casa de um morador, contrariando os costumes local, o que prevê que um visitante deve hospedar-se na palácio do rei.

Já na madrugada, enquanto todos dormiam, Èsù ateou
fogo nas palhas que serviam de telhado na casa que estava abrigado. Feito isso, Èsù gritava por socorro, gerando um grande alarde na cidade. Èsù gritava, ainda, que o fogo havia consumido uma enorme fortuna, que trouxera embrulhada em seus pertences, que como muitos testemunharam, foram confiados ao dono da casa. Na verdade, ao chegar em Ijelu, Èsù entregou ao seu hospedeiro um grande fardo, dentro do qual, segundo declaração sua, havia um grande tesouro, fato este, que foi testemunhado por muitas pessoas do local.
Rapidamente, a notícia chegou aos ouvidos do Rei que, segundo a lei do país, deveria indenizar à vítima de todo o prejuízo. Ao tomar conhecimento do grande valor da indenização e, ciente de não possuir meios para saldá-la, o Rei encontrou, como única solução, entregar seu trono e sua coroa a Èsù, com a condição de poder continuar, com toda sua família, residindo no palácio.

Diante da proposta, Èsù aceitou imediatamente, passando a ser deste então o Rei de Ijelu

Que o nosso Pai, Òsùmàrè Aràká, cubra todos de bênçãos!

Okutá - O verdadeiro Òrìsá


O okutá é uma pedra sacralizada ao Òrìsá, sendo sua própria representação e sobre a qual são oferecidos os sacrifícios propiciatórios a ele endereçados.
O assentamento ou igbá do Òrìsá recém feito é depositado no quarto de seu correspondente na casa, simbolizando o reagrupamento do que um dia, por qualquer motivo, tenha sido dispersado.
No Brasil é costume manter-se o igbá do Òrìsá do iniciado junto ao do "Santo da Casa" durante sete anos, tempo exigido para que o iniciado, após fazer as "obrigações" de praxe, receba um grau hierárquico mais alto, quando poderá, se assim quiser, levar seu Òrìsá para sua casa ou, se tiver cargo para tal, abrir seu próprio Candomblé, o que por certo implica num complexo procedimento ritualístico que não pode nem deve ser descrito em suas minúcias.
Em Cuba, onde o culto recebe o nome de Santeria, segundo informações, o igbá do iniciando permanece na "Casa de Santo" somente durante os três meses subseqüentes ao "dia do nome", ocasião em que, em cerimônia pública, o Òrìsá traz o seu nome ao conhecimento de todos, o que caracteriza que realmente "está feito". Este costume, segundo informações, prende-se ao fato de que o Òrìsá em questão pertence ao seu filho e não ao sacerdote que o consagrou, o que implica num contato diário entre o iniciado e seu Òrìsá, contato este considerado indispensável e obrigatório.
O ìyáwò tem que, todos os dias, logo que despertar, lavar a boca e, antes de falar com qualquer pessoa, "bater cabeça" para seu Òrìsá, saudá-lo conforme tenha aprendido e pedir-lhe tudo o que deseja de bom para si, seus familiares e amigos. Nunca se deve pedir coisas ruins aos Òrìsás, pois isto é uma atitude condenável e desrespeitosa, que pode provocar a sua fúria e resultar em severas punições.
Assim, pode-se ter uma idéia exata de quem Esú é, como é, e como rege as coisas. Ele esta presente em tudo..... em nada.Esú esta presente no consumo de substâncias tóxicas, no álcool, na droga, no fumo. Ele é o sólido, o liquido e o gasoso. Está nas conversas de esquinas, de bares, de restaurantes, de praças. Está na aceitação ou recusa de qualquer coisa.Está presente também nas refeições, pois ele é quem rege o ato de mastigar e engolir. A gula é atributo de Esú. Está no coito, no prazer sEsúal, na preguiça; mas também está presente na disposição, na energia, sem querer com isso carregar peso, pois Esú não gosta de carregar peso. Outro Oriki fala claramente sobre esta sua particularidade:

“ Xonxô obé, odara kolori erú”

“ A lâmina (sobre a cabeça) é afiada; ele não tem cabeça para carregar fardos”

Esú é tudo isso e mais. Fogo é o seu elemento, mas a Terra e o Ar são bem conhecidos de Esú. É a presença constante
!

Pode-se dizer que sem pedra "Ota" não há Orisa.

KOSI OKUTA

KOSI ORISA

"Sem pedra

Sem Orisa"

KOSI ESU

KOSI ORISA

"Sem Esu

Sem Orisa"
Todo Orisa tem que, obrigatoriamente, ser assentado em uma pedra ou
em algum material que dela tenha vindo; exemplo: o ferro em que se
assenta Ogun é a transmutação da pedra, transformada em ferro por
intermédio do fogo. Dessa forma pode-se dizer que Ogun é assentado
na pedra.
Ele é o principio dinâmico de tudo que existe e do que virá existir.

2. OS MÚLTIPLOS NOMES E FUNÇÕES DE ESU

Um mito relata como, em função de seu poder, Esu se descontrola, e
começa a devorar toda a preexistência, sendo então obrigado por
Orunmila, após uma longa perseguição, a vomitar tudo de volta.

Tendo sido cortado em milhares de pedaços, transforma-se no + 1, ou
em 1 multiplicado pelo infinito. Neste caso, ele é Esu Okoto, o
Caracol agulha, cuja estrutura óssea espiralada parte de um ponto
único, abrindo-se para o infinito, e nos dá a idéia do crescimento,
da evolução e da multiplicação, tendo-se tornado o símbolo da
restituição e da recomposição, tornando-se Oba Baba Esu, Esu agbo, o
Rei e o Pai de todos os Esu, gerados por seus pedaços.

Durante muitos anos conviveu-se com uma pretensa superioridade
cultural, racial, religiosa na África e na região dos Yoruba que
provocou guerras étnicas, fato que repercute ainda nos dias de hoje.

A suposta ação evangelizadora desarticulou sofisticadas estruturas
religiosas, imprimindo aspectos negativos e demoníacos à imagem de
Esu que, ainda hoje, habitam o universo religioso e pratico dos mais
renomados Baba/Iya.
A perda dos valores primais africanos foi causada, sobretudo, pela
escravidão, e posteriormente pela miscigenação com as seitas
espiritas cristãs, permitindo assim que os mais sérios seguidores do
Orisa ressaltem os aspectos negativos dos demônios, referindo-se a
Esu como:

Exu Lucifer, Exu Tranca Rua das Almas, Exu sete poeiras do inferno,
Exu Rei das sete encruzilhadas, ou mudam seu sexo , Exu Pomba Gira
ou Exu Maria Padilha.

Os nomes e atributos deste importante Orisa do panteão Yoruba não
permitem interpretações errôneas como as perpetuadas pela inércia e
ignorância de pseudos experts em cultura Yoruba.

Nomes
Atributos

ESU YANGI
o primeiro da criação, a laterita vermelha

ESU AGBA
Aquele que é o ancestral

ESU IGBA KETA
O dono da cabaça, o igba odu

ESU OKOTO
O dono da evolução, o caracol

ESU OBASIN
O pai de todos os Esu

ESU ODARA
O Esu da felicidade

ESU OJISE EBO
O Esu que leva as mensagens ao orisa

ESU ELERU
O Esu que leva o carrego dos iniciados

ESU ENUGBARIJO
O Esu que trás a prosperidade

ESU ELEGBARA
O Esu que detém o poder da transmutação

ESU BARA
O Esu dono do movimento do corpo humano

ESU OLONAN
O dono de todos os caminhos

ESU OLOBÉ
O dono da faca ritual

ESU ELEBÓ
O Esu que recebe as oferendas

ESU ODUSO
O Esu que vigia os oráculos

ESU ELEPO
O Esu do azeite de dendê

ESU INA
O Esu do fogo ( saudado no ipade )

Poderia-se fazer uma lista imensa dos nomes de Esu ancestrais
cultuados no Brasil e África, mas esse exercício é desnecessário no
momento.

O mais importante é destacar as funções desses Esu ancestrais nos
rituais:

Esu Yangi:

É o princípio de tudo, a própria memória de Olodunmarê, seu criador.

Esu Agba ou Esu Agbo:

É o nome que mostra sua ancianidade; ele é o mais velho e, por
conseqüência, o pai que é retratado no mito em que Orunmila o
persegue através dos nove Orun.

Esu igba keta

É o terceiro aspecto mais importante de Esu que está ligado ao
número três, a terceira cabaça onde ele é representado pela figura
de barro junto aos elementos da criação.

Esu ikorita meta:

É ligado ao encontro dos caminhos ou a encruzilhada; o encontro de
três ruas ( Y ).

Esu Okoto:

É o representado pelo caracol agulha, mostra a evolução de tudo que
existe sobre a terra,

e está ligado ao Orisa Aje Saluga, o antigo Orisa da riqueza dos
Yoruba.

Esu Obasin:

É por este nome é conhecido e cultuado em Ile Ifé.

Esu Odara:

É o que, se satisfeito através do sacrificio, traz a felicidade ao
sacrificante.

Esu Ojisé ébó:

É ele que observa todos os sacrifícios rituais e recomenda sua
aceitação, levando as súplicas a Olodunmarê.

Esu Eleru:

É o que leva os carregos dos iniciados (Erupin)

Esu Enugbarijo:

É o que devolve a todos o sacrificio em forma de benefícios.

Esu Elegbara:

É o todo poderoso que transforma o mal em bem, cujo poder reside na
transformação das coisas.

Esu Bara:

É um dos mais importantes aspectos de Esu, pois ele é o Esu do
movimento do corpo humano, infundido no corpo pré-hunamo, ainda no
Orun por Obatala, sendo "assentado" no momento da iniciação, junto
com o Ori e o Orisa individual.

Esu Lonã:

É o senhor de todos os caminhos do mundo.

Esu Olobé:

É dono do obé (faca), tem que reverenciado ao começar todos os
sacrifícios, onde a faca é necessária.

Esu Élébó:

É o carregador de todos os Ébo.

Esu Odusô ou Olodu:

É ele que tem seu rosto retratado no Opon Ifa, e vigia o Babalawo
para que este não minta; é o que vigia os oráculos ( Opélé-Ikin-
Erindilogun )

Esu Elepo:

É ele que recebe o sacrificio do azeite de dendê.

Esu Inã:

É um dos aspectos mais importantes deste Esu primordial, é presidir
o Ipade, sendo o dono do fogo.

É a Esu Inã que os Babalorisa/Iyalorisa se

dirigem no começo do Ipade, uma das mais importantes cerimônias do
ritual afro-descendente religioso:

E Inã mojuba

Inã Inã Mojuba Aiye

Inã mojuba

Inã Inã Mojuba Aiye...etc.

Outra forma de se dirigir a Esu, e que causa certa confusão, é
quando seus acólitos a ele se dirige por seus EPITETOS que , por
serem mais comuns, transformaram-se erroneamente em nomes: Exemplo;

Esu Tiriri

Esu Akesan

Esu Lode

Esu Barabo

Esu Alaketu

Esu Ijelu

Esu Bara lajiki

Esu Marabo...etc.

DA PEDRA A PEDRA

A ação repressiva dos cristãos europeus e, posteriormente, latino-
americanos sobre os africanos, escravos e seus descendentes forjou o
sincretismo entre os Orisa e os Santos Católicos.

Consequentemente, Esu e o diabo cristão na sua forma mais primitiva,
teologicamente.

Assim sendo, a idéia de um Esu reelaborado pelos cristãos e,
essencialmente maléfico e tenebroso, é inconcebível na Teologia e na
cosmovisão Yoruba, que não tem um ``inferno´´ declarado, e os homens
não são punidos a post mortem.

Muito embora, existam lendas e mitos populares onde Esu é retratado
como manhoso, trapaceiro ou encrenqueiro.

Se Esu for reverenciado com o Ebo designado nada disso será
verdadeiro e a sua suposta imagem de

malignidade, decorrente dessas lendas, cairá por terra.

Na verdade, Esu é o Executor Divino, punindo aqueles que descumprem
o sacrificio prescrito, recompensando aqueles que o fazem.

Ele nada faz por conta própria. Está sempre servindo de elemento de
ligação entre OLORUN e Orunmila ou então servindo aos Orisa.

Segundo a Teologia Yoruba, nenhum ser divino pode punir um Ara
aiye "ser da terra", diretamente, sem a consulta a Olodunmarê.

Diversos Itan Ifa nos dão conta que Esu também é encarregado por
OLORUN para vigiar os Orisa no Aiye. Isso só pode ser feito porque
ele é imparcial no seu papel de Executor Divino.

É por isso que todos os devotos de todos os Orisa sacrificam para
Esu, por recomendação de

Ifa, nos tempos de dificuldades, buscando dessa forma sua
intermediação com Olodunmarê.

E, para que os Babalawo não se excedam ou mintam na prescrição dos
ébó, o próprio Esu na qualidade de

Odusó sempre estará presente no jogo, cuidando para que o
Iwa "caráter" do consulente e do Babalawo não sejam maculados.

Esu reporta-se diretamente a OLORUN e mantém um inter-relacionamento
com os Orisa e com os Egungun "ancestrais".

Ele não é vingativo e nada executa por sua própria conta, apenas
cumpre fielmente as ordens de OLORUN, conforme os ditames do Iwa
contido no Ori individual, destino escolhido por cada Ori no Ipori
Orun ``Lugar em que o ser humano é preparado´´.

E necessário, o mais depressa possível, esquecer, "desumbandizar"
e "deskardekizar" as religiões de matriz africanas, pois não se pode
viver com o paradigma de bem e mal, inexistente nessas religiões.

Em síntese, transmutar, teologicamente, a pedra primordial em pedra
angular sobre a qual se sustenta a cosmografia tradicional Yoruba.